domingo, 4 de dezembro de 2016

Quando não havia Google!

Quando não havia computadores acessíveis... 
Quando não havia internet...
Quando não havia emuladores...
Quando conseguir um destes era difícil...
Quando não haviam desculpas "...procurei em todo lugar alguma referência e não achei"...

Em 1979, na revista Nova Eletrônica, algumas das minhas respostas estavam aqui.

Este exemplar veio direto fundo do meu baú.

Hoje está até muito fácil. 

http://www.americanradiohistory.com/Archive-Handbooks-Miscellaneous/Federal-Reference-Data-Radio-Engineers-4th-1956.pdf












quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Arduíno da década de 80?

Arduíno é para os fracos !

Esta é a placa protótipo da CPU de um controlador que fiz para o controle de prensa hidráulica, em meados da década de 80.


Placa protótipo original

Utiliza o microcontrolador 8032 com interpretador BASIC MCS Basic-52 da INTEL, instalado na EPROM e o programa de controle armazenado em RAMs 62256.

Como ainda não  existiam EEPROMs, as RAMS precisavam estar constantemente alimentadas e uma parte do circuito garante a integridade dos dados nas RAMs através de uma bateria de NiCa. 

A carga do programa e a comunicação com o ser humano é através de qualquer terminal RS232 qualquer. 

Achei esta placa remanescente em um cantinho do meu sotão e o esquema original, impresso em impressora matricial 132 colunas,  nos meus arquivos secretos.



Esquema elétrico original ( clique para ampliar )


Como ainda não  existiam EEPROMs, as RAMS precisavam estar constantemente alimentadas e uma parte do circuito garante a integridade dos dados nas RAMs através de uma bateria de NiCa. 

A carga do programa e a comunicação com o ser humano é através de qualquer terminal RS232 qualquer. 

Achei esta placa remanescente em um cantinho do meu sotão e o esquema original, impresso em impressora matricial 132 colunas, 


O controlador era montado em um painel, juntamente com todos os elementos de controle de potência. O software supervisório (no monitor ao lado), que rodava em um PC 386, foi elaborado em QBasic rodando em DOS e com interface gráfica feita na unha!


O primeiro painel com o controlador instalado



Eu (a esquerda)  e Fábio Ramirez (a direita) 
em uma das madrugadas, depurando o painel.



O manual do poderoso MCS BASIC-52 da Intel pode ser baixado aqui:

http://www.nomad.ee/micros/Basic52Manual.pdf

O código hex da versão MCS BASIC-52 V1.3 pode ser baixado aqui:

http://www.dos4ever.com/8031board/version_1p3_hex.HEX

Neste site há inúmeras informações, incluindo um emulador, para quem quer montar uma versão mais "moderninha" do MCS BASIC-52:

A Tiny 80(C)32 BASIC Board


Divirtam-se e comentem com suas experiências.





sábado, 23 de abril de 2016

O Som em alta fidelidade - Parte 5

O Toca Discos, e seus ajustes.


Na parte anterior, falei sobre o disco de vinil e alguma base sobre o toca discos.

Agora vamos nos aprofundar um pouco mais sobre o funcionamento do mesmo e os ajustes necessários para que possa funcionar corretamente e entregar um som realmente nos padrões Hi Fi.

O toca discos é um elemento eletro-mecânico de grande precisão e a perfeita harmonia entre a escolha de seus componentes  e  ajustes é de extrema importância para que se possa conseguir o máximo de performance na conversão dos sinais gravados nos sulcos do disco de vinil para os sinais elétricos entregues a amplificação. 



Music Hall MMF 2.2 Belt Drive




Os ajustes de seus componentes são delicados e dependem de ferramentas e instrumentos para se conseguir o melhor resultado. Um toca discos desajustado, além de seu som não soar muito bem, também compromete a vida útil do disco de vinil e também da agulha.

Dentre dos diversos tipos de toca discos, somente falaremos dos tipos de braço pivotantes e funcionamento manual, que são os mais utilizados na reprodução de som Hi Fi. Outros dois tipos que não trataremos de alguns detalhes, também muito comuns, são:


1) Toca discos automáticos

Tem mecanismos complicados de difícil ajustes e manutenção, com muitos componentes, e muitos componentes são muitas chances de problemas.

Estes mecanismos necessitam aplicar forças extras ao conjunto do braço e estas forças interferem no percurso da agulha no disco de vinil. Se estes mecanismos falham, qualquer ajuste aplicado ao toca discos poderá ser drasticamente alterado, além do risco de danificar o disco, cápsula e agulha. Evite este tipo de toca disco.




Toca discos automático

2) Toca discos de braço tangencial ou linerar

São toca discos com braço de tração tangencial destinados a reduzir a distorção no ângulo que a agulha  acompanha os sulcos do disco. Eles são eficazes até certo ponto, mas problemas com seu mecanismo são comuns e também aplicam forças extras a cápsula e agulha, devido a sua necessidade de motores e molas no controle do braço.




Toca discos de braço tangencial (linear)




As partes que compõe um toca discos com braço pivotante



A figura abaixo mostra, de uma forma geral, os principais componentes de um toca discos manual de braço pivotante. 




Os componentes do toca discos manual



A) O Prato onde o disco de vinil fica apoiado e é tracionado pelo motor e seu sistema de tração.

B) Borracha, berço, esteira.  Feito de borracha, feltro ou outro material macio anti-estático, cuja função é manter o disco de vinil apoiado no prato sem permitir deslizamento e também ajudar a isolar as vibrações provenientes do conjunto prato e motor.

C) Contrapeso. Permite o ajuste do peso que a cápsula aplica ao disco ou tracking force.

D) Anti Skate. Mecanismo que aplica uma força horizontal à cápsula de forma a compensar a força que a agulha aplica na parte interna do sulco (força centrípeta), devido ao movimento giratório do disco. Pode ser constituído de mola ou com contrapesos, este último de maior precisão.

E) Mecanismo de levantamento do braço (Cueing). Permite, de uma forma suave, levantar ou abaixar o braço em direção ao disco.

F) Suporte de apoio e travamento do braço.

G) Braço (Tonearm). Alguns são retos outros são em cuva "S". A construção e materiais do mesmo determinam, em grande parte, a qualidade e estabilidade da conversão do sinal mecânico no disco para o sinal elétrico entregue ao amplificador. 

H) Luz estroboscópica. Pisca a um intervalo preciso e não perceptível ao olho humano. Serve para, em conjunto com as ranhuras feitas no prato, ajudar a determinar e/ou ajustar a velocidade de rotação correta do prato.

I) Head Shell. Cabeçote de montagem da cápsula que permite acopla-la ao braço. Nela são efetuados alguns ajustes de posicionamento da cápsula.

J) Ajuste de Passo (Pitch). Permite modificar ou ajustar a velocidade fina de rotação do prato.

K) Seletor de velocidade. Permite trocar alternar a velocidade de rotação do prato entre 45 e 33 1/3 RPM (rotações por minuto).

L) Base. Base de montagem e sustentação dos componentes.

M) Pino central. Centraliza o disco de vinil no prato.


Na figura, por motivos óbvios, não estão representados os motores e mecanismo de tração.




Toca discos de correia versus toca discos direct drive.


Ambos possuem prós e contras e a sua escolha vai depender da aplicação a qual o toca disco se destina.

Estes são os dois tipos básicos de motorização e tracionamento para o movimento giratório do prato. Ainda existe os de polia, mas por serem somente utilizados em equipamentos de baixa qualidade, não serão tratados aqui.



Tracionamento Direct Drive

No direct drive  o eixo do motor é conectado diretamente ao prato, sendo que o motor roda em baixa velocidade e na maioria das vezes a mesma do prato. Estes motores tem muito torque, o que promove uma melhor aceleração do prato e também minimiza as variações de velocidade causadas pelo atrito da agulha com o disco. Também permite que possamos parar o prato e gira-lo manualmente no sentido contrário, sendo esta características importantes para os DJs e não tem nenhuma vantagem para o som Hi Fi.

Por ter o eixo do motor conectado diretamente ao prato, não existe nenhum amortecimento mecânico no acoplamento e os ruídos mecânicos gerados pelo motor são facilmente transmitidos ao resto do conjunto na forma de um som de muito baixa frequência e constante, que pode aparecer no áudio final. Este ruído é chamado de Rumble. 

Mesmo que este ruído seja de uma frequência abaixo do limiar de sensibilidade do ouvido, dependendo da resposta de frequência do resto do cadeia de reprodução do áudio, este ruído pode saturar os estágios de amplificação, promovendo distorções, e também afetar os alto falantes de graves (woofers e sub-woofers) que ficarão com excursões sub-sônicas danosas em seus cones.

Se você estiver ouvindo um disco de vinil e os cones de seus auto falantes de graves ficarem se movimentando excessivamente, mesmo em passagens de silêncio, o problema provavelmente estará no rumble gerado pelo mecanismo de seu toca discos. Alguns sistemas de amplificação possuem circuitos de filtros passa-alta destinados a minimizar estes efeitos, muitos tem uma chave no painel que permite ligar ou desligar este filtro.


Tracionamento por Correia

No tracionamento por correia, o motor é montado em amortecedores, isolando-o mecanicamente da base do toca disco ou mesmo montados separadamente, no caso dos toca discos Hi End. A força giratória gerada pelo motor é transmitida ao prado através de uma correia de borracha ou silicone muito flexível o que ajuda a isolar qualquer ruido mecânico gerado pelo motor, não permitindo que estes chegue ao prato.

Sua vantagem, óbvia, é o menor índice de rumble transmitido à cadeia de audição. Este é o principal fator de escolha deste tipo de motorização e tracionamento para os toca discos de alta qualidade Hi End.

As desvantagens do toca discos de tração por correia vem do baixo torque dos motores e a impossibilidade de se parar o prato e inverter a rotação manualmente, portanto não é indicado para uso em mesas de  DJ.



Ruídos mecânicos

Falamos acima  sobre o rumble, ruido produzido pela transmissão do movimento do motor ao prato. Existem também outros malefícios que tem relação com o sistema de tracionamento, estes são o Wow & flutter, que tem como fonte as variações de velocidade e a modulação desta variação introduzida na movimentação do prato. Os circuitos de controle de velocidade dos motores direct drive e dos motores para tração por correia têm grande influência nestas variações, que são mínimas nos toca discos de alta qualidade.

O toca discos converte a ação mecânica da agulha no sulco do disco em sinal elétrico para ser amplificado, portanto qualquer vibração mecânica, gerada ou não no próprio toca disco, pode ser convertida em sinal elétrico indesejável na audição Hi Fi. 

As vibrações geradas pelo próprio som amplificado promove vibrações na mesa ou rack onde está instalado o toca discos e será transmitida para a sua base, para seu prato e consequentemente para a agulha. Dependendo da intensidade e frequência desta vibração um efeito de realimentação poderá ocorrer na forma de um forte estrondo na faixa das frequências graves.

Para minimizar este efeito, as bases dos toca discos devem possuir muita massa (peso) e também devem estar apoiadas sobre pés amortecedores. O conjunto também deve estar montado longe das caixas acústicas e seus alto falantes de graves.


Ruídos elétricos

O sinal elétrico gerado pela cápsula é extremamente tênue, na faixa de 5mv (milésimos de volts) e por isso devem ser amplificados.

Por trabalhar com sinais de muito baixa intensidade, todo o sistema está sujeito a interferências elétricas, provenientes de seus circuitos, de dispositivos elétricos externos e da própria rede elétrica.

O ruido gerado pela rede elétrica é chamado de Hum. Este ruído é gerado em qualquer rede elétrica e é caracterizado por um som constante de baixa frequência, (60hz) em nosso território, e normalmente esta relacionado ao mau aterramento do sistema de som e toca discos ou a má blindagem dos cabos e circuitos por onde passa o sinal elétrico nos estágios iniciais da cadeia auditiva. 

Os fios que saem da cápsula passam por dentro do braço, que se for metálico e estiver devidamente aterrado, promove a blindagem necessária contra interferências externas. Caso o braço seja de material não metálico, estes fios devem ser providos de uma blindagem extra. 

Todas as partes metálicas do toca discos deve estar aterradas, e normalmente há junto ao seu cabo de saída do sinal elétrico, um fio de aterramento destinado a esta função, este fio deve ser conectado ao terminal correspondente na entrada do pré de phono ou amplificador integrado.



Os ajustes

Aqui chegamos em um assunto delicado na questão utilização e performance do toca discos.

São normalmente fáceis de serem efetuados, porém, é necessário destreza e paciência para se conseguir bons resultados e também não correr o risco de danificar o mecanismo e, mais comumente a agulha. Antes de começar qualquer ajuste, tenha em mão as informações necessárias providas pelos fabricantes, assim como as ferramentas necessárias para o ajuste. Nem todos os ajustes são possíveis em todos os toca discos e o manual do fabricante deve ser consultado.


Ajuste da velocidade de rotação do prato.

Permite ajustar finamente a velocidade de rotação do prato. Alguns toca discos, mesmo de qualidade, não possuem este ajuste pois seus circuitos controlam a velocidade eletronicamente, não necessitando de qualquer ajuste. Mesmo estes toca discos normalmente possuem indicadores estroboscópicos que permitem a aferição da velocidade de rotação e controle fino da velocidade.

Este mecanismo de aferição é composto por ranhuras gravadas no prato e uma luz estroboscópica que  ilumina estas ranhuras. Na velocidade correta, as ranhuras aparentam estar paradas e se estiverem em movimento indicam que a velocidade esta maior ou menor que a esperada. Como existe pelo menos duas velocidades de rotação dos discos, existem também duas faixas de ranhuras, uma para 33 1/3 e uma para 45 RPM.


Ranhuras no prato e luz estroboscópica 


Alguns toca discos não possuem indicadores de velocidade, mas isso pode ser resolvido com a compra ou confecção de um disco estroboscópico com faixas de marcação para a aferição. Para utilizar estes discos, porém, é necessário a utilização de uma iluminação com lâmpada que "pisque" na frequência da rede de energia, no Brasil 60Hz. Lâmpadas compactas, incandescentes ou mesmo lampadas de iluminação LED não servem. Lâmpadas fluorescentes com reatores discretos (não os eletrônicos) se prestam muito bem a este serviço.

Pode-se, facilmente, construir um iluminador com LED ou lâmpadas NEON para esta finalidade, mas a descrição de construção está fora do escopo deste artigo, por necessitar de conhecimentos técnicos específicos para isso. Já os modelos de discos estroboscópicos podem facilmente serem baixados da internet.




Exemplo de disco estroboscópico que pode ser baixado da internet.



Ajuste do peso da agulha


Normalmente chamado de "traking force" ou força de tração, determina que força a agulha fará na superfície do disco, durante a reprodução. Sendo o ajuste mais fundamental do toca disco,  o peso é determinado pelo fabricante do conjunto cápsula e agulha, normalmente é da ordem de uma ou duas gramas.

Todo toca disco de qualidade permite o ajuste deste parâmetro dentro de certos limites, digo certos limites porque alguns, embora permitam o ajuste, a construção de seu mecanismo de braço restringem a faixa de atuação. 

O ajuste é feito por um anel ou contrapeso localizado atras do braco, na posição oposta a da cápsula. Normalmente possuem uma escala que, quando corretamente utilizada, permite ajustar a força de tração da agulha. Comumente ajuste é feito após todos os outros ajustes, quando possíveis, forem efetuados.


Contrapeso de ajuste da força de tracking


O procedimento mais comum para ajuste da força de tracionamento é:

1) Com a cápsula instalada e o braço fora da área do disco, movimente o contra-peso de forma a equilibrar o braço na posição horizontal.

2) cheque se este equilíbrio se mantem na área do disco, sem que a agulha o toque.

3) Rode somente o anel com a escala, mantendo o resto do contra peso parado, até que a posição zero esteja coincidente com a marcação de referência. 

4) Rode todo o contra-peso, junto com a escala, para a posição em gramas sugerida pelo fabricante da cápsula e agulha. 

Para os ajustes mais precisos é necessário a utilização de uma balança de precisão dedicada a esta função que pode ser adquirida no mercado. Estas balanças medem com precisão a força exercida pela agulha no disco. 

Balança comercial, dedicada a aferição de tracking force.



Eu utilizo uma balança de precisão, muito barata, que pode ser comprada no mercado nacional. 

Embora não seja dedicada a toca discos, cumpre adequadamente a função e a unica observação é que será necessário a retirada do prato do toca discos para utiliza-la, senão a inclinação do braço não estará de acordo com a posição normal de uso.




Balança facilmente encontrada no mercado nacional


É bom lembrar, que as cápsulas e agulhas de maior qualidade devem trabalhar dentro da faixa de poucas gramas de força, determinada pelos seus fabricantes. O correto ajuste determinará a precisão do acompanhamento dos sulcos do disco, a qualidade do som produzido e a vida útil do conjunto.

Alguns toca discos e conjuntos de cápsulas destinados a DJs necessitam de forças de tração muito altas que podem passar de 5 gramas. Estes toca discos devem ser evitados para audições em Hi Fi e para a saúde de seus preciosos discos de vinil.

Com um correto ajuste da força de tração o conjunto capsula e agulha pode trabalhar dentro dos limites mecânicos impostos pelo seu projeto, permitindo a melhor performance possível. 



Efeitos no conjunto cápsula e agulha  pelo ajuste de tracking force (clique para ampliar)



Na próxima parte continuaremos descrevendo os ajustes.

Continua....

domingo, 17 de abril de 2016

O som em alta fidelidade - Parte 4

O Vinil


Como sempre, um pouco de história.

Surgindo no ano de 1948, tornou os discos de goma-laca de 78 rotações obsoletos. Os discos de 78 rotações tiveram seu inicio em 1890.

Após o lançamento do CD, no final da década de 80, o vinil teve sua utilização rápida e gradativamente reduzida e quase desapareceram por completo no final do século passado. A partir de 2010 uma onda começou a popularizar novamente a utilização do vinil e a gravadora Plysom começou a produzir discos de vinil, dada a necessidade crescente destas mídias para a utilização de DJs, colecionadores e o público que não estava satisfeito com a qualidade sonora dos CDs.

No período anterior aos CDs e mídias digitais, o Vinil era o que de melhor o consumidor podia ter em questão de qualidade da fonte sonora.


O processo de gravação.

Depois do processo inicial de produção com a captação, mixagem, masterização inicial e gravação em algum suporte analógico ou mais modernamente digital, o conteúdo é remasterizado de forma a adaptar-se ao meio ou mídia a que vai ser gravada. Esta re-masterização prevê e aplica as correções devidas aos limites técnicos impostos pela mídia final de suporte. No vinil, por ser um processo de gravação e reprodução mecânico, as correções da re-masterização são extremamente importantes e delas dependerá a qualidade do produto final.

Após os processos eletrônicos iniciais, uma fresa eletrônica literalmente corta a superfície de uma matriz de acetato, transferindo o som representado eletricamente para os sulcos onde futuramente será trilhado pela agulha do toca discos, convertendo-o novamente para um sinal eletrônico.



Disco e agulha ampliados 1000x


Desta matriz em acetato outra parte do processo cria um “carimbo” em negativo, que prensa uma pasta quente de cloreto de polivinilo ou poliéster e no  final deste processo temos o disco de vinil, que estamos acostumados a ver, pronto para o processo final de acabamento e embalagem.

No processo eletrônico da re-masterização, uma série de equalizações de resposta de freqüência e compressões são aplicadas. A correção de resposta de freqüência, ou equalização, utiliza uma curva padronizada de correção chamada Curva de Equalização RIAA. A curva RIAA atenua os sons com freqüência abaixo de 500 Hz  e acentua os sons agudos acima de 2.120 Hz antes da gravação. Este processo visa diminuir o ruído inserido no processo de gravação e reprodução da mídia vinil, uma vez que a maioria do ruído ouvido está na faixa dos agudos e impede que os níveis dos sons graves criem ondulações nos sulcos capazes de interferir nos sulcos adjacentes.


O processo de reprodução

No processo de reprodução um Pré-Amplificador de Phono aplica em seu filtro uma curva de equalização RIAA inversa, ou seja, os agudos que anteriormente foram acentuados, são agora atenuados, e os graves anteriormente atenuados agora são acentuados, tudo na proporção inversa da curva RIAA de gravação, mantendo os níveis finais iguais aos níveis presentes na gravação original. Como há, na reprodução uma filtragem de agudos, os ruídos oriundos do disco físico de vinil são também atenuados.

Todos os pré-amplificadores e receivers vintages da era do vinil já possuem no circuito da entrada phono um filtro RIAA, já os mais modernos não possuem. Portanto, se o amplificador ou receiver não tiver entrada phono, é necessário o uso de um pré-amplificador de phono para amplificar e equalizar a curva RIAA do sinal analógico oriundo de um toca discos com cápsula magnética. 

Existem toca discos que possuem capsulas de cristal, que pelas características de reprodução do cristal, não necessitam de equalização RIAA. Estas cápsulas de cristal, não conseguem reproduzir adequadamente a curta RIAA e possuem baixa qualidade, somente sendo utilizadas em aparelhos de baixa qualidade não atendendo as expectativas de do som em Hi Fi.

As cápsulas magnéticas tem um nível de saída do sinal elétrico muito reduzido, cerca de 5mv (5 milionésimos de volts), já as cápsulas de cristal tem um nível de saída muito maior, cerca de 100mV. Estas últimas podem ser ligadas diretamente a entrada AUX de qualquer equipamento de amplificação.

Note, na figura abaixo que a curva de atuação dos filtros RIAA de gravação (em verde) e reprodução (em vermelho) tem as curvas idênticas, porém invertidas. O resultado é uma saída plana (em azul) pronta para ser amplificada pelos próximos estágios da amplificação.



Curvas de gravação e reprodução RIAA


As cápsulas magnéticas tem um nível de saída do sinal elétrico muito reduzido, cerca de 5mv (5 milésimos de volts), já as cápsulas de cristal tem um nível de saída muito maior, cerca de 100mV. Estas últimas podem ser ligadas diretamente a entrada AUX de qualquer equipamento de amplificação.




Pré-Amplificador de Phono DIY



O Toca disco

O toca disco é a peça fundamental na qualidade de reprodução e na conservação de seus LPs. São componentes eletromecânicos de precisão, cuja função é transformar as informações mecânicas gravadas nos sulcos dos vinis em sinais elétricos fieis à forma original que foi produzida.

Seus elementos construtivos principais são:

a) Conjunto de tração

Composto basicamente pelo motor, elemento de acoplamento (correia, polia ou motor de tração direta direct drive) e pelo prato de suporte ao disco de vinil.

O conjunto deve promover uma rotação constante do disco sem introduzir nenhuma variação ou ruído mecânico ao mesmo. Os toca discos de qualidade possuem motores de tração direta ou  tração por correia. 

A grande maioria de toca discos Hi End utiliza a tração por correia, que por ser muito flexível e o motor estar mecanicamente isolado do resto do mecanismo,  transfere menos ruído do motor para o prato e o braço do toca discos. Já os direct drive são os preferidos por DJs, pois permitem a inversão manual de rotação do disco nos efeitos de scratch. Toca discos de polia somente são utilizados em equipamentos de baixo custo e baixa qualidade.

O prato deve ter boa massa, ser pesado, para que a inércia ajude a manter a velocidade constante e minimize qualquer vibração mecânica gerada pelo motor. Pratos de plastico, ou com pouca massa, somente são utilizados em equipamentos de baixa qualidade.



Tração por correia x tração direct drive.



b) Conjunto de captação

Composto basicamente pela agulha, capsula e conjunto do braço tem a função de trilhar a superfície do disco de forma estável e sutil. O alinhamento deste conjunto é imprescindível para uma perfeita transferência dos sinais mecânicos do sulco do vinil para sinais eletrônicos prontos para serem amplificados.

Os braços são construídos com muitas variações de design e utilizando vários tipos de materiais em sua construção, sendo os mais comuns os alumínio e compostos plásticos. Muitos fatores construtivos determinam a qualidade e eficácia do conjunto do braço, e são demasiadamente complexos para serem abordadas neste momento.

A cápsula deve estar com agulha em condições de uso, pois esta fica em contato direto com o disco, e as suas condições determinam a longevidade do mesmo. Quando devidamente utilizadas,  as agulhas, têm uma vida útil de aproximadamente 500 horas, uma agulha desgastadas ou quebrada deve ser substituída.

Cada conjunto cápsula/agulha tem um peso de tracionamento específico, definido pelo seu fabricante. Nos conjuntos de melhor qualidade o peso de tracionamento fica entre uma ou duas gramas. 

As cápsulas com baixo peso de tracionamento não funcionarão bem com braços cuja mecânica necessite de pesos maiores para trilhar corretamente o disco. Isto significa que não adianta nada comprar uma cápsula de alta qualidade se seu toca disco não possui um mecanismo de braço a altura.

Os toca discos de maior qualidade tem seu funcionamento totalmente manual, ou seja, não possuem mecanismos que acionam o braço automaticamente ou dependem dele para parar o motor ao final do disco. Estes mecanismos automáticos interferem na precisão do movimento do braço e impõem forças que são inadequadas para que ele possa trabalhar com baixos pesos de tracionamento. Prefira um toca disco manual a um automático ou semi-automático.

Embora alguns são totalmente manuais, toca discos e cápsulas destinadas a DJ necessitam de peso de tracionamento muito grande, muitas vezes superior a cinco gramas. Este peso é altamente danoso aos LPs, pois as forças excessivas terminam gastando as paredes dos sulcos dos discos.

Nunca toque a agulha da cápsula, e a mantenha protegida, com o braço travado, quando não estiver em uso. Sempre que possível, "aterrize" a agulha no disco com a ajuda do mecanismo de amortecimento existente na maioria dos braços.

Os toca discos de qualidade permitem que o posicionamento da cápsula, seu peso de tracionamento, correção da tendência a deslizamento (anti skating) e velocidade de rotação sejam ajustados.  

Uma consulta ao manual do fabricante é fundamental para proceder com estes ajustes. Existem tabelas, gabaritos e equipamentos dedicados a estes ajustes. Um  toca discos devidamente ajustado é fundamental para a qualidade da audição.

No próxima parte deste artigo trataremos dos ajustes do toca discos.



Braço de toca discos Hi End, em fibra de carbono



Os cuidados

Diferente dos CDs e das mídias digitais, a qualidade do material gravado e durabilidade do Vinil e dos componentes de toca discos são diretamente proporcionais aos cuidados com o armazenamento e manuseio.

Os sulcos dos discos de vinil são extremamente sensíveis e não devem ser tocados por nenhun objetos (incluindo os dedos) a não ser pela agulha da cápsula, pelo plástico especial da capa e pela borracha do prato do toca discos. Manuseie os discos somente tocando-os pela borda sem tocar os sulcos. Qualquer dano aos sulcos do disco acarretará em ruído na audição e maior desgaste da agulha, assim como qualquer sujeira que esteja depositada nos sulcos.

Os discos devem ser guardados em local seco sem poeira ou calor, sempre nas embalagens plásticas e em pé. Não se deve guardá-los na posição horizontal, nem tampouco empilhados, pois isso poderá empená-los.

Regularmente os LPs devem ser lavados para se retirar a poeira de seus sulcos e existe uma técnica para isso. 

Os discos devem ser lavados com água limpa corrente e detergente neutro, não utilize nenhum produto químico como alcool, solventes, lubrificantes, polidores, etc.

a) Manipule o disco somente pela borda, não toque seus sulcos com os dedos.

b) Comece molhando a superfície do vinil com água corrente, tomando cuidado para não molhar a etiqueta central.

c) Dilua algumas gotas de detergente neutro em um pouco de água limpa.

d) Molhe um algodão (preferencialmente cirúrgico, que não solta fibra) na solução de detergente e passe na superfície do vinil numa espiral, no sentido contrário ao da tração da agulha no toca discos, de dentro para fora. Faça esses movimentos varias vezes. Não utilize esponjas, panos ou qualquer outro material abrasivo na limpeza.

e) Enxague com água corrente até que não haja mais vestígio de sabão na superfície. Neste ponto a água não fica mais retida nos sulcos.

f) Repita a operação dos dois lados do disco.

g) Deixe secar, na vertical, em local sem poeira e a sombra. Não deixe nada tocar na superfície do disco.

Você pode construir um “secador” para os vinis com arame ou adaptando um suporte de faqueiro, conforme a foto.


Secando vinil após a lavagem


A agulha do toca discos também pode ficar impregnada de sujeira microscópica, que não sai com as escovinhas para limpeza.

Para limpa-la, basta utilizar um dos LPs que acabaram de ser lavados e com ele ainda úmido, coloque no toca discos e deixe a agulha trilhar seus sulcos, ainda com umidade. Após alguns minutos, retire o disco e proceda com a lavagem do mesmo.

A umidade no sulco ajudará na remoção de sujeira impregnada nas paredes da agulha.



Sujeira na parede da agulha, ampliada 10000 vezes




A qualidade do vinil

Como já dito antes, a qualidade final da cadeia de audição depende da qualidade de cada processo independente. Desde a captação até o som chegar aos nossos ouvidos, todos os componentes e processos devem ser de qualidade compatível com as expectativas do som em Hi Fi.

Sem contar o processo inicial, a re-masterização é um dos processos mais críticos no processo de produção do vinil e depende de fatores altamente técnicos que levam em consideração o tempo de audição, o número de faixas e capacidade da mídia de vinil. Na teoria, um LP Single (não um compacto single) permite que se aplique menos compressão ou correções e, portanto tem melhor qualidade que um LP com 10 faixas por lado, onde se deve fazer caber mais informações em menos espaço.

No começo o processo de produção do vinil era totalmente analógico e ficava livre das imposições e degradações técnicas impostas pelos processos de digitalização. Com o advento dos processos e algoritmos digitais o processo de masterização passou a ser, também digital.

Com a volta do vinil em anos recentes, muita "trambicagem" vem acontecendo, com gravadoras passando re-masterização de CD diretamente para o vinil, inserindo parâmetros de correções  que não estão de acordo com as necessidades, ou pelo menos não otimizadas, com as as mídias de vinil. Mais grave ainda é a possibilidade da produção de vinis a partir de mídias altamente comprimidas como o MP3. Alguns dados técnicos da produção do vinil, são fornecidos nas capas dos mesmos.



O que soa melhor, vinil ou mídias digitais?

A resposta, eliminando fatores técnicos, é o que lhe soar melhor.

A audição musical é uma questão de gosto pessoal. O processo de se ouvir um LP é por sua essência um rito onde todos os passos, deste a manipulação do LP até a leitura dos encartes são extremamente prazerosos. Por outro lado, ouvir uma mídia digital, sem os chiados, sem necessitar dos cuidados especiais na manipulação do vinil e podendo-se passar de uma música ou banda para outra em segundos é extremamente prático. 

A comparação de qualidade entre as mídias só será efetiva se com músicas de qualidade de conteúdo e produções de boa qualidade assim como de todos os componentes da cadeia sonora. 

Aprenda a prestar atenção nos detalhes da peças musicail, assista a audições acústicas ao vivo, treine seus ouvidos.

De nada adiantará fazer uma comparação se não temos a capacidade de perceber a diferença sonora de um MP3 em 128Kbps e um de 320Kbps.



Continua com os ajustes do toca disco...